sábado, 23 de julho de 2011

Culpar os astros, o clima, o país? quanto drama.

O casal mais invejável que já conheci. Pedro e Rodrigo estavam ali para aproveitarem um ao outro sem choro, depressão ou crise de relacionamento. Pedro era escritor e seu maior crítico era Rodrigo. Os dois aspiravam alçar vôos maiores e toparam ter um ao outro nessa jornada. Transavam incansavelmente. Na cama, no chão, na banheira, encostados à parede, sob o chuveiro. Às vezes, quanto o quarto dispunha de estacionamento privativo, começavam a transar no carro, continuavam em cima do capô, na escada, nunca dava tempo de chegar à cama. Eram ávidos e vorazes.

Aparentemente é pura modernidade, lifestyle, loucura ou qualquer outro rótulo que queiram adicionar, mas, sem dúvida, funciona. É comum ver casais se formando por motivo nenhum. Justificam com atração intelectual, social, carência, compatibilidade de signos ou ligação cósmica, enfim. Sempre acabam tão mal resolvidos como começaram.

Falo de pessoas ligadas por muito menos que isso, porém é um menos muito claro, resolvido e até profissional(!!!). Um casal do tipo que não faz cerimonia em apontar defeitos, não faz planos pensando em morar juntos num apartamento qualquer com seus futuros filhos imaginários e fala bem do pênis do cara da mesa ao lado. Falar “eu te amo” então, nem pensar! Só se sair na hora do orgasmo e mesmo assim, ainda é motivo de boas risadas. Duas almas maduras com total liberdade de espírito. Neste status, vivem as suas vidas de maneira totalmente racional (em pensar que metade da nossa civilização foi fundada por esse pensamento tão desvalorizado). 

Provavelmente também vão acabar logo, nenhum casal fora dos filmes europeus sobrevive a tanta modernidade, porém não vai ser um fim trágico e traumático. Serão amigos de festinha e ainda manterão sexo casual.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Post-it do dia

Vontade gritante de entrar num imenso globo de luzes e dançar toda a felicidade que imagino. Acordar e sentir, nas roupas, as sensações da noite anterior. Vontade de nunca ter conhecido ninguém além dos meus cinco melhores amigos.


Vontade de fazer bolo, correr na praia, bicicleta, gaita, pintar um quadro com papel crepom e transar numa casa de campo ouvindo um freak folk qualquer.


Às vezes fico me perguntando porque não conseguimos realizar desejos tão simples. Por que não conseguimos, se quer, não se importar com quem nos faz mal. Tamanha injustiça com quem não deseja ter dois carros e um apartamento na avenida mais classuda de Paris.

O aroma das mudanças

A noite chega com um cheiro que, diferente da matina, é impossível reconhecer.
“Sem chão” sempre pareceu uma palavra boboca, mal empregada e até ridícula. É fácil pensar assim quando ocupamos outros ângulos da vida. São novas sensações, cheiros, gostos e imagens que sempre estiveram ao meu alcance, mas nunca foram percebidas.

Hoje acordei e vi a minha mãe arrumando o cabelo. Ela tocava suavemente as mechas e fazia algumas poses tímidas em frente ao espelho. No caminho do trabalho, existe uma avenida com muitas árvores e passando por lá, tive vontade de fechar os olhos, sentindo aquele ar de úmido de troncos e folhas vivas no meu rosto. 


É uma conexão comigo mesmo que grita por ouvidos. Estar sozinho nunca foi tão intrigante. É como ver uma nuvem incandescente no céu e não ter pra quem contar no fim do dia. Ao mesmo tempo em que tenho a sensação de viver um grande amontoado de horas sem importância, crio tesouros particulares tão valiosos quanto um milhão de companhias.