O casal mais invejável que já conheci. Pedro e Rodrigo estavam ali para aproveitarem um ao outro sem choro, depressão ou crise de relacionamento. Pedro era escritor e seu maior crítico era Rodrigo. Os dois aspiravam alçar vôos maiores e toparam ter um ao outro nessa jornada. Transavam incansavelmente. Na cama, no chão, na banheira, encostados à parede, sob o chuveiro. Às vezes, quanto o quarto dispunha de estacionamento privativo, começavam a transar no carro, continuavam em cima do capô, na escada, nunca dava tempo de chegar à cama. Eram ávidos e vorazes.
Aparentemente é pura modernidade, lifestyle, loucura ou qualquer outro rótulo que queiram adicionar, mas, sem dúvida, funciona. É comum ver casais se formando por motivo nenhum. Justificam com atração intelectual, social, carência, compatibilidade de signos ou ligação cósmica, enfim. Sempre acabam tão mal resolvidos como começaram.
Falo de pessoas ligadas por muito menos que isso, porém é um menos muito claro, resolvido e até profissional(!!!). Um casal do tipo que não faz cerimonia em apontar defeitos, não faz planos pensando em morar juntos num apartamento qualquer com seus futuros filhos imaginários e fala bem do pênis do cara da mesa ao lado. Falar “eu te amo” então, nem pensar! Só se sair na hora do orgasmo e mesmo assim, ainda é motivo de boas risadas. Duas almas maduras com total liberdade de espírito. Neste status, vivem as suas vidas de maneira totalmente racional (em pensar que metade da nossa civilização foi fundada por esse pensamento tão desvalorizado).
Provavelmente também vão acabar logo, nenhum casal fora dos filmes europeus sobrevive a tanta modernidade, porém não vai ser um fim trágico e traumático. Serão amigos de festinha e ainda manterão sexo casual.
