quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Você pode até ter sido o meu minuto ruim, mas ainda vou te oferecer um drinque


Meu baú é velho, fedorento e cheio de sentimentos inúteis. Meu baú tem o nome do primeiro cara que eu beijei, tem a minha primeira música favorita, tem a minha primeira decepção. Meu  baú carrega a nossa coleção de discussões, a nossa coleção de erros, a nossa coleção de abraços apertados. Meu baú concentra um cardápio tão grande de sensações, que às vezes quero entrar lá e sentir alguma de novo. Meu baú é tão pedante que transforma tudo o que carrega em tesouro, toda aquela nudez intelectual em clichê e justifica ser aprendizado.

Falo sobre o meu baú na mesa do bar, vivo esse minuto sabendo que vou me orgulhar dele no minuto seguinte. Deve ser perturbante olhar para o minuto anterior querendo que ele não tivesse existido, ou negando a existência desse. Alguns escrevem os seus minutos com um lápis bem fraquinho na mão direita e uma borracha na mão esquerda. Alguns preferem não gostar do minuto anterior para viverem melhor esse minuto. Mal sabem que esse minuto também vai passar.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma dose de boa companhia e curiosidade


Efeito de 2 semanas sem nos encontrarmos, conversamos por 9 horas seguidas. A garçonete do bar, que cheirava a canela, já havia desistido de perguntar se queríamos mais uma torta de banana sem açúcar ou mais um chopp com sal e limão.

Dois amigos ligados por motivo nenhum. Falavam sobre qualquer coisa. Sobre o trânsito, sobre a saia horrível da garçonete, sobre o último porre e sobre astrologia. Saudade de quando marcávamos de fazer super mercado juntos e brigávamos porque ela sempre escolhia temperos brasileiros e não indianos, que são mais saudáveis.

Já era noite e procurávamos uma casa noturna. Estávamos fugindo da mesmice das festas alternativas e toda aquela gente pedante sem motivos. Queríamos uma experiência qualquer. Entramos numa casa que estava tremendo em batidas fortes. Era algo meio house, trance com hits da radio maravilhosamente bem remixados. O lugar era escuro e parecia perfeito para flertadas sexuais.

Parecíamos Lena e Pedro saindo da east side nova-iorquina e descobrindo o eterno verão de Ibiza. Eram pessoas bonitas, fortes, aparantemente dotadas de ótimos cremes faciais. Não falavam muito, deixavam seus esculturais corpos dançarem e justificarem o silêncio. Dançavam juntos, muito juntos e tudo ali parecia preliminar a uma transa. Nos desencontramos.

Amanhece e ainda consigo sentir o cheiro da noite anterior.