Um frio que começa entre os dedos e passa pelos orgãos mais desnecessários do corpo humano, o sorriso sádico de um sujeito garboso por ter atingido prazer maior que o gozo, prazer maior que a nicotina, prazer maior que todas as baladas.
Cada litro do meu sangue derramado parece me proporcionar uma superioridade surreal. Causadora das sensações mais desconhecidas, uma endorfina sem fim. Eu gosto disso. Eu gosto de caminhar entre grafismos musculares e saber que me olham como se eu fosse a Zooey Deschanel em uma festa do Skins. Eu gosto de ver a minha vizinha discutindo com o seu marido sobre pintar o cabelo e achar tudo patético. Eu gosto de enxergar o feio, o vazio, o superficial e me sentir alguém melhor que aquilo.
Nunca vou me conformar com uma comédia romântica americana qualquer. Sempre vou preferir insistir que o último álbum do Animal Collective é o pior, ainda que eu nem ache isso. Sempre vou preferir a gritaria, a psicopatia, o desespero em conhecer cada parte do seu corpo em uma única noite, a ligação no meio da noite com você chorando, soluçando, sem conseguir falar absolutamente nada. Tudo isso me dá prazer. A histeria, as minhas olheiras, sentir que estou em uma acupuntura de tiros, perder sangue até quase a morte e ficar anêmico de tanto amar.
Depois, tudo fica chato corremos o risco de parecer a minha vizinha e discutir sobre o que comer no almoço. Então, eu não preciso mais de você. Não lembro mais do seu cheiro e meu ser, sem graça, precisa ficar sozinho novamente. Pode ir embora.