quarta-feira, 27 de abril de 2011

2h15 foi o último trago, hora de guardar as cinzas

Tudo acaba e seu organismo não entende, tudo acaba quando ele já aprendeu a não viver sem aquelas substâncias, tudo acaba e você acha nunca mais vai sentir aquelas sensações, como quando não precisava de mais nada, além daquele sorriso. 


É uma cratera que se abre sobre um sentimento que, pra alguém, não acabou. São lágrimas que se permitem representar uma passagem, vidas que não fazem mais sentido. É quando você percebo que fui presunçoso demais em achar que com o que chamam de amor seria diferente. O que tinha vida e me trazia uma felicidade até hoje não mensurada, vira pó. 


Amanhece, e são só cinzas em forma de boas lembranças. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Não sei do meu futuro depois desse refrão

Os drinques eram coloridos e estavam geometricamente arrumados numa mesa cuja decoração parecia ter sido copiada de um quadro qualquer. As pessoas chegavam pontualmente, todas usando salto alto - inclusive os rapazes. 

As luzes na verdade eram bolinhas coloridas, como as que estampavam os vestidos das garotas. Elas começavam a dançar e como eram estranhas, pareciam estar fugindo do mundo, pareciam esquecidas de tudo, inclusive delas mesmas. Movimentavam os braços da maneira mais diferente que já vi. 

No segundo refrão de Big Time Sensuality, tocavam nos quadris e os movimentavam circularmente, vendo nisso uma estética surreal. As luzes refletindo nos tecidos da decoração faziam tudo parecer uma grande bola de fuga. Quem entrasse ali e deixasse seu músculos a mercê das batidas libertadoras da Bjork, teria oportunidade de não estar em lugar nenhum e se transformar naquelas batidas. Era isso que elas queriam, que aquelas batidas refletidas nas luzes do salão fossem na verdade suas vidas refletidas em qualquer coisa que as fizessem felizes, nem que fosse apenas por um curto tempo que dura um refrão, nem que fosse apenas por um curto tempo que dura uma festa quando

Amanhece.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Dos barzinhos de café

Nem sei onde estamos. Às vezes parece um daqueles filmes Dinamarqueses a là Antichrist, outras um romance estético numa pegada meio suéca, e o que eu mais temia, uma comédia romântica qualquer cheia de frases clichê, momentos casal-gay-careta-do-barzinho-de-hétero. 


Pequenas regrinhas, impressões já formadas, e uma intimidade sur-re-al. Um quadro que parece ter sido cuidadosamente pintado, que como arte subjetiva, difere nos terceiros olhares. Fazemos compras, tomamos café no fim da tarde, repetimos roupas, reclamamos, planejamos, nos ligamos, dormimos.