Era noite.
Olhar pela janela trazia ansiedade, uma sensação de que muitas coisas estavam
para acontecer. Mas não extamente naquela janela, cujo tamanho exagerado só
aumentava a aflição, mas lá fora, em meio a toda aquela sinergia de luzes que
formavam desenhos em espectros infinitos, em meio a todos aqueles cabelos e
casacos estilosos, conservados pelos charmosos 8 graus que fazia.
Alguma coisa naquele lugar me fazia sentir
completo, inspirado, cheio de vida. Talvez fossem as luzes, ou os quadros
espalhados pelas paredes do apartamento, ou ainda a forma como tudo parecia
milimetricamente pronto para uma fotografia do Andy Warhol, com seres exóticos
usando drogas e estampando camisas. Dei o último trago, estava decidido que a cidade me
aguardava.