quinta-feira, 21 de abril de 2011

Não sei do meu futuro depois desse refrão

Os drinques eram coloridos e estavam geometricamente arrumados numa mesa cuja decoração parecia ter sido copiada de um quadro qualquer. As pessoas chegavam pontualmente, todas usando salto alto - inclusive os rapazes. 

As luzes na verdade eram bolinhas coloridas, como as que estampavam os vestidos das garotas. Elas começavam a dançar e como eram estranhas, pareciam estar fugindo do mundo, pareciam esquecidas de tudo, inclusive delas mesmas. Movimentavam os braços da maneira mais diferente que já vi. 

No segundo refrão de Big Time Sensuality, tocavam nos quadris e os movimentavam circularmente, vendo nisso uma estética surreal. As luzes refletindo nos tecidos da decoração faziam tudo parecer uma grande bola de fuga. Quem entrasse ali e deixasse seu músculos a mercê das batidas libertadoras da Bjork, teria oportunidade de não estar em lugar nenhum e se transformar naquelas batidas. Era isso que elas queriam, que aquelas batidas refletidas nas luzes do salão fossem na verdade suas vidas refletidas em qualquer coisa que as fizessem felizes, nem que fosse apenas por um curto tempo que dura um refrão, nem que fosse apenas por um curto tempo que dura uma festa quando

Amanhece.

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