Efeito de 2 semanas sem nos encontrarmos, conversamos
por 9 horas seguidas. A garçonete do bar, que cheirava a canela, já havia
desistido de perguntar se queríamos mais uma torta de banana sem açúcar ou mais
um chopp com sal e limão.
Dois amigos ligados por motivo nenhum. Falavam sobre qualquer
coisa. Sobre o trânsito, sobre a saia horrível da garçonete, sobre o último
porre e sobre astrologia. Saudade de quando marcávamos de fazer super mercado
juntos e brigávamos porque ela sempre escolhia temperos brasileiros e não
indianos, que são mais saudáveis.
Já era noite e procurávamos uma casa noturna. Estávamos
fugindo da mesmice das festas alternativas e toda aquela gente pedante sem
motivos. Queríamos uma experiência qualquer. Entramos numa casa que estava
tremendo em batidas fortes. Era algo meio house, trance com hits da radio maravilhosamente
bem remixados. O lugar era escuro e parecia perfeito para flertadas sexuais.
Parecíamos Lena e Pedro saindo da east side nova-iorquina e
descobrindo o eterno verão de Ibiza. Eram pessoas bonitas, fortes,
aparantemente dotadas de ótimos cremes faciais. Não falavam muito, deixavam
seus esculturais corpos dançarem e justificarem o silêncio. Dançavam juntos,
muito juntos e tudo ali parecia preliminar a uma transa. Nos desencontramos.
Amanhece e ainda consigo sentir o cheiro da noite anterior.
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