segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Uma dose de boa companhia e curiosidade


Efeito de 2 semanas sem nos encontrarmos, conversamos por 9 horas seguidas. A garçonete do bar, que cheirava a canela, já havia desistido de perguntar se queríamos mais uma torta de banana sem açúcar ou mais um chopp com sal e limão.

Dois amigos ligados por motivo nenhum. Falavam sobre qualquer coisa. Sobre o trânsito, sobre a saia horrível da garçonete, sobre o último porre e sobre astrologia. Saudade de quando marcávamos de fazer super mercado juntos e brigávamos porque ela sempre escolhia temperos brasileiros e não indianos, que são mais saudáveis.

Já era noite e procurávamos uma casa noturna. Estávamos fugindo da mesmice das festas alternativas e toda aquela gente pedante sem motivos. Queríamos uma experiência qualquer. Entramos numa casa que estava tremendo em batidas fortes. Era algo meio house, trance com hits da radio maravilhosamente bem remixados. O lugar era escuro e parecia perfeito para flertadas sexuais.

Parecíamos Lena e Pedro saindo da east side nova-iorquina e descobrindo o eterno verão de Ibiza. Eram pessoas bonitas, fortes, aparantemente dotadas de ótimos cremes faciais. Não falavam muito, deixavam seus esculturais corpos dançarem e justificarem o silêncio. Dançavam juntos, muito juntos e tudo ali parecia preliminar a uma transa. Nos desencontramos.

Amanhece e ainda consigo sentir o cheiro da noite anterior.

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