18 anos e uma coleção riquíssima em pessoas que simplesmente
se foram. Algumas eu comemorei, com largos sorrisos e longas tragadas de
nicotina, já outras se foram deixando crateras a nível dos alpes holandenses,
como ladrões que passaram numa moto e arrastaram parte dos meus órgãos, num
assalto ao restante de esperança em um dia compartilhar ao menos uma lágrima
com alguém.
O organismo sempre reage. Reage cobrindo todo o restante vivo
com uma camada sólida de gelo impermeável, tão eficaz quanto meia dúzia dessas
vacinas que oferecem por ai. O resultado de tudo isso é uma existência gélida.
O barulho das árvores balançando com o vento me emociona mais que a fome na
África, o oitavo segundo de Pass This On me arrepia mais que a morte de um
parente, a cena em que a Charlotte canta num karaokê em Tokyo me excita mais
que qualquer grafismo muscular.
Talvez um dia eu olhe para todas aquelas fotos em sépia e
sinta uma pontada na nuca por não ter insistido mais. Até lá, eu prefiro acreditar
que nenhum sentimento é capaz de preencher o tamanho do buraco que eu me
tornei. Não consigo sofrer porque sofrer seria menos do que eu sinto. Ela preferiu me enterrar juntos aos seus dois
gatos.
me identifiquei, adoro pra sempre os teus textos.
ResponderExcluirLenita